Quiabo bordô atende alta gastronomia

Oferecido por Revista Campo & Negócios

O quiabo (Abelmoschus esculentum, anteriormente Hibiscus esculentus) pertence à família Malvaceae. Planta de ciclo vegetativo rápido, fácil cultivo, alta rentabilidade e, devido ao amplo leque de utilidades, tem demandado crescente aumento de produção.

É uma hortaliça amplamente utilizada na culinária brasileira, com alto valor alimentício, sendo importante fonte de vitaminas A e C e sais minerais como cálcio, ferro, fósforo, além de qualidades medicinais e terapêuticas reconhecidas.

Diferencial do quiabo bordô

Vegetais com coloração do vermelho ao azul intenso, como o quiabo bordô, possuem um pigmento chamado antocianina, sendo uma das principais classes dos flavonoides que contribuem significativamente com ação antioxidante. São pigmentos amplamente distribuídos em vegetais e exercem efeito protetor e preventivo no organismo humano. Seu potencial antioxidante pode chegar ao dobro dos antioxidantes comerciais, como a vitamina E.

Assim, alimentos com significativa ação antioxidante, além de possuírem a função nutricional para o corpo, oferecem outros benefícios, por conterem substâncias bioativas que atuam como promotoras da saúde e estão associadas à diminuição dos riscos de desenvolvimento de doenças crônicas.

Genética

A escolha de materiais vegetais mais produtivos e uniformes também deve estar associada às características de genótipos que permitam maior qualidade nutricional. Dessa forma, novas cultivares vêm transformando o mercado consumidor, devido à demanda por cultivares mais atrativas, de cores e texturas diferenciadas, que possuem apelo nutricional para uma população interessada em alimentação saudável.

Contudo, permitem a elaboração de pratos mais refinados, da alta gastronomia, sendo encontrados nas principais redes de restaurantes, principalmente em grandes centros urbanos.

Pelo Brasil afora

São os pequenos e médios produtores os responsáveis por quase toda a produção da cultura. A produtividade é variável, geralmente em torno de 20 t ha-1, com possibilidade de atingir 40 t ha-1 quando o período de colheita é prolongado.

A produção mundial de quiabo foi de 9,8 mil toneladas, numa área aproximada de dois mil hectares, em 2018 (Faostat). A Ásia é responsável por 69,5% da produção mundial, seguida do continente africano, com 29,7% e das Américas, com 0,8%. No ranking dos países, a Índia é o principal produtor, com média de 4,5 mil toneladas, seguido pela Nigéria, com 1,2 mil toneladas.

No Brasil, é cultivado principalmente nas regiões nordeste e sudeste. O quiabeiro é amplamente cultivado no Estado de São Paulo. Segundo dados de 2012 do IEA/CDRS (CATI), houve cultivo em 148 municípios, sendo os maiores em área cultivada: Piacatu (220 ha), Promissão (120 ha), Mogi Guaçu (110 ha) e Araçatuba (100 ha). As regiões administrativas de maior expressão foram Araçatuba (33,9%), Campinas (27,6%) e Sorocaba (11,4%).

Segundo a Seção de Economia e Desenvolvimento da própria CEAGESP, a sazonalidade da comercialização do quiabo ocorre com maior expressão nos meses de abril a dezembro, sendo o mês de março considerado moderado e os meses de janeiro e fevereiro com baixa comercialização.

Os principais municípios que enviam quiabo para o Entreposto da Capital Paulista da Ceagesp são: Itaberá-SP (16%), Piacatu -SP (13,6%) e Gabriel Monteiro-SP (10%). Em 2017 foram comercializadas 12.513 toneladas de quiabo. Entre os meses de abril e maio de 2020, conforme dados disponibilizados pelo Programa Brasileiro de Modernização do Mercado de Hortigranjeiro – Prohort – da CEAGESP, a média de preço foi de R$ 4,90/kg, variando de R$ 1,98/kg a R$ 8,00/kg, preços dos Estados de Mato Grosso e Rio Grande do Sul, respectivamente.

Manejo

A cultura do quiabeiro desenvolve-se bem em vários tipos de solo, mas é importante que os mesmos tenham boa drenagem. Em solos arenosos, menos férteis, com baixo teor de matéria orgânica, é importante que se faça uma adubação orgânica em toda a área de cultivo, cerca de 30 dias antes do plantio.

Pode-se utilizar de 10 a 20 t/ha de esterco de curral ou de composto orgânico, ambos bem decompostos, ou ainda, 2,5 a 5,0 t/ha de esterco de galinha curtido ou húmus de minhoca. As quantidades recomendadas de fertilizantes orgânicos variam conforme as características de cultivo: clima da região, época de plantio, ciclo da cultura, níveis de matéria orgânica, textura do solo, utilização ou não de irrigação na cultura, entre outros.

Contudo, deve-se atentar para o fato de que o uso excessivo de adubos orgânicos poderá acarretar em desenvolvimento vegetativo exuberante, dificultando as colheitas e o controle fitossanitário, entres outros aspectos.

Por ser uma cultura pouco tolerante à acidez elevada do solo, a calagem torna-se importante para manter o pH em torno de 6,0 a 6,8, sendo recomendada a análise do solo para esta operação. A adubação e a nutrição mineral são fatores essenciais para ganhos na quantidade e qualidade do produto, desde que aplicadas corretamente, de modo a atingir elevada eficiência, minimizar o custo de produção e reduzir os danos ambientais. Consequentemente, há garantia de melhor retorno aos produtores.

Nutrição

A adubação química é realizada principalmente em função de aplicações dos macronutrientes N e P, visto que a cultura do quiabo apresenta boas respostas de crescimento e desenvolvimento, mediante aplicações em doses corretas.

A maior demanda por N é no período entre 30 e 90 dias após a semeadura. Na adubação mineral de cobertura pode-se aplicar de 20 a 80 kg/ha de N e 15 a 60 kg/ha de K2O durante o ciclo da cultura. As coberturas (20 kg/ha de N e 15 kg/ha de K2O cada) iniciam-se aos 20 dias após a emergência das plantas, podendo ser repetidas a cada 30 dias, dependendo do desenvolvimento do quiabeiro.

Deve-se evitar a aplicação de nitrogênio em plantas vigorosas, procurando-se, com isso, manter um balanço adequado entre a área foliar e a quantidade de frutos em produção. É importante ressaltar a necessidade de análise de solo para melhor adequar as demandas nutricionais da cultura.

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